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04/05/2021 (assíncrona) Educação Matemática Crítica (Skovsmose)

 

04/05/2021 (assíncrona)


Entrevista: Ole Skovsmose e sua Educação Matemática Crítica 

Disponível em http://www.fecilcam.br/revista/index.php/rpem/article/viewFile/860/pdf_74


Vídeo: Palestra de Ole Skovsmose no PPGEM - UESC em 2014, apresentando conceitos da Educação Matemática Crítica

Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=5YFKpPpkLmw           


Leitura complementar:

(Não) Reconhecimento e subcidadania, ou o que é ''ser gente''?

Jessé de Souza

Este texto discute e combina algumas teorias contemporâneas sobre a origem e a dinâmica do reconhecimento social, como a de Charles Taylor, com abordagens socioculturais acerca da temática da desigualdade, como as de Pierre Bourdieu e Reinhard Kreckel, de modo a aplicá-las de forma modificada e produtiva para o esclarecimento de questões centrais da modernidade periférica, como os fenômenos da subcidadania e da naturalização da desigualdade. Seu objetivo é elaborar uma concepção teórica alternativa às abordagens personalistas e patrimonialistas desses fenômenos, assim como às percepções conjunturais e pragmáticas, produto da parcelização e fragmentação do conhecimento, que perdem o vínculo com qualquer realidade mais ampla e totalizadora.

Palavras-chave : Modernidade periférica; reconhecimento social; desigualdade; pensamento social brasileiro.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-64452003000200003&script=sci_abstract&tlng=pt)

 


Comentários

  1. O texto realiza uma excelente crítica que o desenvolvimento econômico experimentado pelo Brasil de 1930 a 1930 não refletiu na redução das desigualdades sociais. O Estado sempre demonstra que o desenvolvimento dos mercados trará como consequência a redução da desigualdade social, no entanto a realidade vivenciada é totalmente diferente do que é propugnado. Essa dicotomia entre desenvolvimento de mercado e desigualdade social é refletida na própria essência da sociedade brasileira, na criação, como explicita o autor, de redes invisíveis e objetivas que desqualificam os grupos sociais precarizados, esta desqualificação possui o objetivo de tornar perene o poder da classe social dominante, pois a manutenção de um grupo social com a estigmatização de uma subcidadania somente mantém a desigualdade social na forma que este grupo dominante tenha a manutenção do seu status quo.


    Referências:
    TEXTO: (NÃO) RECONHECIMENTO E SUBCIDADANIA, OU O QUE É “SER GENTE”?* JESSÉ SOUZA. Acesso em: 07 mai. 2021

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    Respostas
    1. O professor Ole Skovsmose traça uma discussão interessante, tanto em sua palestra quanto em sua entrevista analisadas aqui neste fórum, em torno da Educação Matemática Crítica. Para ele, vivemos em uma sociedade matematizada, em que direta ou indiretamente a Matemática se faz presente em nosso cotidiano, seja lidando com técnicas e conhecimentos matemáticos ou se apropriando das tecnologias que transcendem a matemática avançada e facilitam hoje nossas vidas. Então, estar alheio a esses conhecimentos é também estar de posse de uma subscidadania, ou seja, é um direito básico e importante que todos tenham acesso e possam desenvolver habilidades para lidar com os conhecimentos matemáticos, pois quando esse direito não é garantido, tem-se ainda uma democracia incompleta, isso porque a Educação Matemática favorece a leitura e escrita do mundo estruturado por números e figuras. O professor destaca ainda que é necessário se pensar e distinguir, não anular os três conceitos: Matemática, Educação Matemática e Educação Matemática Crítica, isso porque todos esses níveis são importantes aos cidadãos, sendo que a Educação Matemática Crítica está a serviço da emancipação do sujeito, nos fazendo refletir a cerca de problemas da sociedade, cumprindo assim o seu papel sociopolítico. Contudo, essa abordagem curricular não pode simplesmente se apropriar apenas do particular do estudante e negligenciar as técnicas dos conhecimentos matemáticos, pois seria contribuir ainda mais como um fator de exclusão, pois avaliações externas, por exemplo, carecem do domínio de técnicas e estar de fora desse processo é também estar excluído de muitas oportunidades. Sobre essa questão da exclusão Jessé Souza aprofunda em seu texto .... a reflexão em torno da exclusão histórico-social sofrida pela população negra através da análise de tese de Florestan Fernandes que aborda diversas inquietações acerca de fatores que nos levam ao reconhecimento social e o não lugar diante desse processo, ao que ele se questiona com a expressão “ser gente”, analisando que não possuir cidadania plena é fator a se questionar para além de garantias democráticas, mas a própria constituição do ser. Relacionando essas inquietações de Jessé e Florestan com as ideias de Ole Skovsmose, nos questionamos: a exclusão diante dos conhecimentos matemáticos, já que a sociedade é matematizada, me fazem não “ser gente”?

      Referências:
      Ole Skovsmose e sua Educação Matemática Crítica. Disponível em: http://www.fecilcam.br/revista/index.php/rpem/article/viewFile/860/pdf_74. Acesso em: 01 mai. 2021.

      Vídeo: Palestra de Ole Skovsmose no PPGEM - UESC em 2014, apresentando conceitos da Educação Matemática Crítica. Disponível em: https://youtu.be/5YFKpPpkLmw). Acesso em: 01 mai. 2021.

      (NÃO) RECONHECIMENTO E SUBCIDADANIA, OU O QUE É “SER GENTE”? JESSÉ SOUZA. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-64452003000200003&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 02 mai. 2021.

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  2. Respostas
    1. O que os conceitos de inclusão, justiça social e democracia podem significar para a educação matemática?
      Ou Imaginação matemática.

      Valtervan Oliveira

      Em sua palestra ministrada na Universidade Estadual de Santa Cruz, o professor Ole Skovsmose, aborda uma serie de questões a partir do titulo: O que os conceitos de inclusão, justiça social e democracia pode significar para a educação matemática? Ao analisarmos o titulo facilmente podemos perceber o tom questionador e desafiador que o professor irá imprimir nessa aula magna. O professor Skovsmose enfatiza inicialmente que a educação matemática dever ser para imprimir na sociedade a justiça social, pois justiça social, inclusão e democracia são palavras positivas e assim que a matemática deve ser positiva criando uma harmonia entre educação e processos educacionais.
      Umas das primeiras referências que o professor enfatiza como aporte teórico da sua fala é John Dewey 1916. Onde ele faz uma comparação entre os processos de pesquisa e o processo de aprendizagem, afirmando que ambos são processos de investigação e faz uma associação direta com a democracia, que também é um processo de investigação. Diante de relação entre aprendizagem, investigação e democracia, Skovsmose reforça a necessidade de efetivar uma educação baseada na idéia de HARMONIA DE DEWEY que é uma educação baseada na investigação para que de fato ele seja democrática.
      O professor aborda do professor podemos entender que a perspectiva moderna faz sua auto interpretação e de forma falsa utilizou a ciência durante o século dezenove como meio de impor, justificar e ampliar racismo dos mais diversos no meio popular e justificando-os através do conhecimento cientifico tendenciosos, que estava a serviço dos poderes dominantes, onde os tipos de crânios simbolizavam e confirmavam segundo a perspectiva moderna com uma prova inequívoca da evolução de um grupo social em detrimento de outro que devia ser excluído e às vezes até subjugados por terem fenótipos diferentes.
      Vídeo: Palestra de Ole Skovsmose no PPGEM - UESC em 2014, apresentando conceitos da Educação Matemática Crítica. Disponível em: https://youtu.be/5YFKpPpkLmw). Acesso em: 01 mai. 2021.

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  3. O texto (Não) Reconhecimento e subcidadania, ou o que é ''ser gente''? nos traz uma reflexão sobre a origem e a dinâmica do reconhecimento social, com abordagens socioculturais acerca da temática da desigualdade, as quais são aplicadas de forma modificada e produtiva para o esclarecer questões centrais da modernidade periférica, como os fenômenos da subcidadania e da naturalização da desigualdade. Jessé Souza faz uma comparação do imaginário social dominante no Brasil com o homem cordial” de Sérgio Buarque, o qual possui as mesmas características, independentemente de sua classe ou pertencimento social. Embora sejam semelhantes existe a diferença no progresso econômico, o qual envolve problemas como desigualdade, marginalização e subcidadania. Essa situação permite compreender o drama social ao longo da modernidade, onde ouviu-se muito dizer que a democracia não é para todos, não atende às diferentes culturas, negros foram excluídos, e durante longos anos as mulheres foram impedidas de participarem da democracia. Porém, a ideia de democracia hoje é muito diferente, e percebe-se que tem conexão com à tradição matemática escolar e às funções dessa tradição em relação aos desenvolvimentos social, econômico e tecnológico. Durante a Modernidade, a Matemática era celebrada como uma ferramenta indispensável para proporcionar o progresso tecnológico. Ole Skovsmose afirma em seu texto que a Educação Matemática Crítica está se desenvolvendo, e que desencadeou uma reação contra o currículo conduzido pelo professor e contra as aclamadas neutralidade e objetividade da ciência. Skovsmose diz ainda que é importante estar ciente de que a Educação Matemática pode servir a diferentes funções socioeconômicas. De fato, deve-se buscar uma educação matemática onde os alunos possam obter o pensamento matemático e reconhecer suas próprias capacidades matemáticas, conscientizando-se que a Matemática atua em vários campos como tecnológicos, econômicos, políticos, entre outros.

    REFERÊNCIAS:
    CEOLIM, Amauri Jersi; HERMANN, Wellington. Ole Skovsmose e sua Educação Matemática Crítica. RPEM, Campo Mourão, Pr, v.1, n.1, jul-dez. 2012.

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  4. (Não) Reconhecimento e Subcidadania, ou o que é "ser gente"? Jessé de Souza

    A subcidadania retratada por Jessé de Souza, faz pensar também sobre a expressão "cidadanias mutiladas" pelo geógrafo Milton Santos. Nestes termos essa condição de não reconhecimento de direitos, de "cidadania" não exercida com dignidade, da negação do outro/a enquanto ser da mesma natureza revela historicamente o que também a herança escravocrata determinou como relação de dominação e de poder social. O que encontra reverberação na atualidade das classes sociais, onde as desigualdades se naturalizaram a ponto de parecer para muitos uma condição normal. Jessé traz algumas referências teóricas que vão respaldar, discutir e iluminar determinados conceitos sobre as relações sociais. A visão da democracia racial imprimiu uma condição onde os privilegiados, na sua maioria, não consideram que a sua posição coloca outros/as "cidadãos/cidadãs" em desvantagens não só em relação a bens materiais e sociais como na descaracterização do ser gente, assim como por sua vez o desprivilegiado também na sua maioria exerce o papel de subjugado.
    Ele vai dizer que "nenhum brasileiro europeizado de classe média confessaria, em sã consciência, que considera seus compatriotas das classes baixas não-europeizadas “subgente”. Essa relação encontra explicação na idéia de Bourdieu sobre habitus como uma dimensão daquilo que está implícito, subliminar, em signos sociais aparentemente sem importância, o que podemos também chamar de signos sociais estruturais que balizam as relações, se perpetuam e se normalizam. Os efeitos dessa realidade se manifestam em segregação e naturalização das desigualdades cada vez mais evidentes. Porém o autor chama à atenção que essa realidade não escapa a quem estar devidamente atento/a.

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