11/05/2021
(síncrona)
Guetorização e
globalização: um desafio para a Educação Matemática
Ole Skovsmose
Resumo: Acredito que a discussão
sobre a educação matemática pode ser relacionada com a discussão sobre a
globalização e, portanto, também com a
da guetorização, já
que julgo ser
esta um aspecto
da globalização. Conhecimento e
desenvolvimento de conhecimento podem ser vistos como coisas às
quais se atribui
valor. Isto é
certamente proposto pela
teoria do valor relativo ao
conhecimento de Daniel Bell. Entrentanto, a valorização do conhecimento tem
raízes profundas no
movimento do Iluminismo
- aqui concebido de
forma ampla -,
que se caracteriza
pela idéia de que o progresso
sociopolítico pode ser
assegurado pelo progresso
do conhecimento — e do conhecimento científico, em particular. Este pressuposto
do Iluminismo é
questionável, e agora
com boas evidências, já que o
conhecimento científico, incluindo
o conhecimento matemático, é
capaz de “maravilhas”, bem como de “horrores”. Isto nos leva a uma
situação aporética com
respeito ao conhecimento. Devemos abandonar a
idéia de que
qualquer avanço cego
do conhecimento (científico)
constitui um motor para o “progresso”. Como conseqüência, não podemos construir
uma educação matemática
com base no pressuposto simplista de que isso
implicará o bem
final para aqueles
nela envolvidos. Dessa forma,
o papel efetivo
a ser desempenhado pela
educação matemática
dependerá dos contextos
nos quais ela
estará se desenvolvendo.
Considero crítico o papel sociopolítico desempenhado
pela educação matemática. Com
isso, quero dizer,
primeiro, que, o
que a educação matemática está
fazendo é algo
que merece atenção
e consideração. A educação
matemática pode produzir
diferenças para certos
grupos de pessoas. Por
intermédio da matemática,
é possível estratificar
e propiciar diferentes oportunidades de
vida a diferentes
grupos de pessoas.
A educação matemática constitui
um elemento indispensável para
o desenvolvimento
sociotecnológico. Em segundo
lugar, acredito que a educação
matemática é crítica,
no sentido de
que ela não
tem uma característica essencialista
que possa garantir
que o seu
efetivo papel sociopolítico
cumpra certas funções atrativas, tais como as estipuladas nos objetivos comuns
dos currículos. A
educação matemática poderia
servir para o desenvolvimento adicional de uma preocupação com a
democracia, tentando promover, desse modo, a inclusão social. Ela poderia,
entretanto, provocar a exclusão
social. Isto me
leva a considerar
a importância da educação matemática crítica.
Palavras-chave: Educação
matemática crítica; globalização; aporismo; incerteza.
Disponível em
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/zetetike/article/view/8646990/13891
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